Objetivos

O blog foi criado como uma ferramenta para divulgação dos trabalhos do projeto Biodiversidade Urbana de Cascavel que teve início em 2007, mas teve seus trabalhos desenvolvidos de forma mais sistemática a partir de 2008. O Projeto visa o conhecimento e a divulgação da diversidade de vida existente em espaços urbanos, no caso da cidade de Cascavel no Paraná, mas conforme a disponibilidade, postaremos sobre conflitos com a fauna, fauna e flora ameaçadas e espécies invasoras entre outros assuntos e curiosidades.
Iniciamos com os componentes de fauna e flora, mas conforme a evolução e disponibilização de informações outros temas poderão ser abarcados. Em relação a fauna o blog será alimentado por fotos tiradas por nós ou por qualquer colaborador que as queira dividir e por encontradas em acervos públicos ou privados. Em relação a flora incialmente estaremos postando as fotos do Museu Botânico Itinerante, resultante da atuação de estagiárias da UNIOESTE, curso de Ciências biológicas, que pesquisaram, coletaram e processaram todo o material oriundo de áreas verdes do município de Cascavel, Paraná.

Nossa pretenção é de regularmente atualizarmos o blog com informações novas e complementando as antigas.



Obrigado, boa visita e volte sempre!



Luís Eduardo da Silveira Delgado (Dado)



Obs: Lá no final do blog há um livro de visitas, deixe seu recado!


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O últimos dos .....O Ano em que não mantivemos mais contato!

O processo de extinção é pra sempre, mas leva-se algum tempo até percebermos que ..."já se foi"!!!. Até mesmo a ciência, com sua precaução, deixa transcorrer um tempo para então dizer que algo não existe mais. Podemos ter a extinção total de uma espécie ou o que vem antes, as extinções locais e regionais. Também temos as extinção ecológica, ou seja, temos um exemplar, ou exemplares, mas que não sabem ou não podem por algum motivo, ser o que realmente são, "aquela espécie", não reproduzem, e não sabem como a sua espécie se comporta na natureza. Os motivos são vários, mas o nascimento em cativeiro ou o longo tempo de vida nele estão entra as causas mais comuns, independentemente de como foram parar lá. Assim, apesar de existirem biologicamente, são considerados extintos ecologicamente, não existem mais na natureza.  Normalmente o que fica na memória é a última vez em que mantivemos contato, qual foi o último registro, a última lembrança!
Este ano estou propondo a mim e aos interessados uma pergunta, uma verdadeira gincana, uma investigação, um resgate na história do município, quando foi a última vez que uma onça tanto faz ser a pintada (Panthera onca) ou a parda (Puma concolor), foi(foram) vista(s) dentro do perímetro urbano de Cascavel?
Quem tiver alguma pista, favor repassar.
Dado


Voltamos!!!
Nem eu mesmo respondi a minha pergunta.
Atualizando então (13/03/2025).
 Em 10/07/2018 uma onça parda ou puma foi filmada no centro de Cascavel, próximo ao cemitério. No entanto, já havia o relato de uma ataque de uma onça na região do Cancelli/Canadá  no mês anterior. Segundo informações o animal teria atacado um cão.

10/02/2025 . Um vídeo que circulava em grupos privados de um app foi compartilhado. Tratava-se de uma onça parda no perímetro urbana na região da FAG.

 Depois colocaremos os links dos vídeos e reportagens. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Eletricidade realmente sustentável- Coluna Ambiente por Inteiro



Eletricidade realmente sustentável,       01/02/2011 


 Um aspecto desagradável do ambientalismo é a facilidade com que temos nossa atenção desviada, como a criança que fica feliz de ir ao dentista porque vai ganhar sorvete depois.
A pressão do executivo para construir a usina de Belo Monte é antiga, já foi o pivot da saída de Marina Silva, esteve relacionada também com a demissão de Roberto Messias e agora causou a demissão de Abelardo Bayma, que já havia assinado a licença da Hidrelétrica de Teles Pires (posteriormente suspensa por liminar da juíza Hind Ghassan Kayath, da 9a. Vara da Justiça Federal). Tendo feito mais esta vítima, não resta agora muito mais quadros do PT dispostos a arcar com a responsabilidade.
Como dizia, ambientalistas se perdem facilmente nos detalhes. Ainda mais sério que os inúmeros problemas de Belo Monte ou Teles Pires, é nos perguntarmos para quê precisamos de energia elétrica.
Antes da construção da usina, a resposta é “Precisamos de energia para hospitais, escolas e empregos”. Depois de construídas, subsidiamos energia para produção de alumínio, em especial na região Norte, onde cada gigawatt aplicado no beneficiamento da bauxita cria 2,4 empregos para exportar lingotes de alumínio. O lucro fica com os acionistas, o prejuízo é rateado entre os brasileiros (pagadores e não pagadores de impostos).
A construção de hidrelétricas para valorizar ações de empresas internacionais não é um problema ambiental ou social. Se o país não recebe pelo custo verdadeiro da energia elétrica, estamos simplesmente sendo roubados.
Além deste interesse, há também os 19 bilhões de reais em obras para Belo Monte, acrescidos da rede de transmissão e muito certamente dos adendos de projeto que multiplicam o preço.
Se economizarmos, há energia equivalente a muitas usinas para ser ganha. E a culpa do gasto de energia não é do Pedrinho que larga acesa a luz do quarto como se fosse sócio da companhia de luz. É do governo que não transforma o aquecimento solar de água em mania nacional. Ontem tomei um banho quente na chuva só porque a água passava por uma laje aquecida ao sol. As poucas pessoas que possuem coletores solares no teto de suas casas estão mortas de saber disto, mas é novidade para a maioria que usa a preciosa energia elétrica para aquecer água.
Não pense que sua eletricidade é limpa porque vem, em grande parte, da queda de uma cachoeira. Além da área ocupada pelo lago e de seu assoreamento (entupimento) com terra, há também a emissão de metano. A não ser por um trabalho publicado por Phillip Fearnside em 1995, não fazemos o trabalho óbvio de medir quanto metano sai do lago e somar com aquele que é liberado ao passar pelo “liquidificador” da turbina. No caso de Balbina, libera-se mais metano que uma usina termoelétrica equivalente.
Assim como no caso da semana passada [O produto realmente sustentável], a única energia realmente limpa é aquela que deixamos de consumir.
Efraim Rodrigues

Efraim Rodrigues, Ph.D., é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Coluna Ambiente por Inteiro Conservação Inevitável

Conservação Inevitável


Efraim Rodrigues

Acabo de ler Dom Pedro II, de José Murilo de Carvalho. A História Brasileira me interessa por que de tanto repetir-se, é sempre atual.

A abolição da escravatura esteve constantemente em pauta a partir do meio do século 19, mas os donos de terras conseguiram evitá-la por diversos meios.

- Sem escravos não existe agricultura no Brasil !

- O imperador quer a abolição só para mostrar-se na Europa !

- Quem vai ressarcir os proprietários de escravos ?

Alguns anos depois percebemos que mais que assegurar um direito humano (como se fosse pouco) a escravatura era um empecilho para a construção de um país de fato. Os donos de terras até gostavam de dispor de mão de obra muito barata, mas isto ia contra o verdadeiro progresso do país.

Faz 20 anos que ouço o lobby ruralista dizendo

- O Código Florestal vai acabar com a agricultura do país !

- Isto é pressão de ONGs estrangeiras !

- Quem vai nos ressarcir pela área perdida ??

Melhorar nosso ambiente é tarefa para todos e todos têm dado sua contribuição. A indústria sofre pesada regulação ambiental tanto do governo como de seus consumidores. Cidadãos têm sua carga de impostos aumentada, em parte para melhorar a conservação. Assim como no caso da escravatura, há proprietários de terras com mais visão que já estão no século 21, mas muitos ainda perdem tempo em Brasília tentando tapar o sol com a peneira.

Talvez conseguirão, considerando sua esperteza de tentar aprovar a urgência da votação da alteração do código florestal enquanto a bancada ambientalista estava em Cancun (não avisei que o encontro era uma fria ???). Um golpe de mestre que quase regrediu o país umas cinco décadas.

O lobby ruralista simplesmente teme o efeito desinfetante da luz do sol que o debate acadêmico e a participação populares vão trazer.

Agora, um dia depois desta coluna ter ido para os jornais, vemos que até nisto eles são muito espertos. De fato, a pressão popular não só conseguiria, como de fato conseguiu adiar a votação. Este adiamento é importante para que sejam incorporadas as opiniões públicas, acadêmicas e do Ministério do Meio Ambiente.

Acadêmicos têm trazido idéias interessantes, como a que não falta terras para agricultura e pecuária (já que há muita terra subutilizada). O país gasta muito para manter as universidades públicas. Não seria recomendável ouvir o que seus melhores professores têm a dizer ? Veja três destes trabalhos em meu blog http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/


Até agora, bastou fazer agricultura como mineração; explora e parte para outra. Agora que não temos mais fronteira agrícola, é melhor começar a pensar em uma agricultura mais sustentável, e o Código Florestal contribui para isto.

Prestem atenção, que esta gente lá em Brasília está quase trazendo a escravatura de volta para nosso país.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva

http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Coluna Ambiente por Inteiro- Domingo, 23 de janeiro de 2011 O produto realmente sustentável






         Domingo, 23 de janeiro de 2011O produto realmente sustentável

     Quando ouço sobre “produtos sustentáveis”, me lembro do Alfeu, um amigo agricultor orgânico que montou uma barraca na feirinha dos produtores no centro de Londrina, com uma grande placa PRODUTOS ORGÂNICOS. Fez sucesso, vendeu tudo e na semana seguinte seus colegas todos tinham uma placa igual.
    Todos querem seu produto mais atraente para o consumidor, e uma balela freqüente é chamá-lo de sustentável, ecológico, verde, orgânico, natural, ou    ambiental.

    O paraíso da balela verde são as camisetas e calças jeans, produtos voltados para o público mais jovem e freqüentemente menos atento (os mais velhos são mais atentos mas também menos dispostos).

    Você pode comprar uma camiseta colorida de verde com uma árvore estampada, mas o fato é que para produzi-la gasta-se 150 g de agrotóxico e 2700 l de água. O primeiro dado é da Universidade de Cornell e o segundo é da ONG Waterfootprint. E o algodão orgânico ? Ele custa caro e as pessoas não gostam porque a fibra não é tão macia.
     Só os lunáticos acham que o mercado deseja produtos ambientais. A linha Eco da Levi’s foi cancelada e o New York Times publicou artigo em janeiro mostrando que a recessão acabou com o mercado verde de roupas. O recado não é novidade; As pessoas só querem salvar o planeta depois que a própria pele esteja salva, esquecendo que a pele de todos depende do planeta.
     Uma iniciativa promissora é o Better Cotton Initiative, uma organização composta por algumas das marcas internacionais de roupas para usar técnicas melhores de plantio de algodão. Algo como “vamos estimular os plantadores de algodão a fazer o que é ensinado a qualquer estudante de agronomia”. Note que há tantos plantadores de algodão com práticas minimamente razoáveis que eles nem tentaram escolher. Eles não enchem um micrônibus. A regra neste meio são um grande número de aplicações de agrotóxico, antes mesmo que haja evidência de pragas. É mais fácil aplicar de uma vez que ficar avaliando pragas.
     Não espere que a Better Cotton Initiave, o pouco algodão orgânico ou até mesmo as camisetas feitas de garrafas PET resolvam o problema. Estas, então são particularmente indulgentes ao atribuir algo de bom às 565.000 T de PET que o Brasil consumiu em 2010.
     Não há produto ambientalmente correto. O único produto realmente correto é aquele que você não comprou. Qualquer outro gastou água, agrotóxicos, queimou combustível ou extinguiu espécies
     Se o produto já chegou na prateleira da loja, o impacto já ocorreu, que adianta não comprá-lo ? O comércio anda a base de substituição. Se você não tirar a camiseta da prateleira, outra não entrará no lugar.    
     Isto é que é ambientalmente correto.

    Efraim Rodrigues

Tomodon dorsatus

Tomodon dorsatus
Serpente encontrada no Parque Municipal Danilo Galafassi, Cascavel. Jul/2010. Quem identificou foi o Marcos Born que indica uma bibliografia: CITADINI, Jessyca Michele. A influência da temperatura no comportamento defensivo em Tomodon dorsatus (Serpente, Dipsadidae).